Toda a criança sabe qual é a cor da bondade

Corações e Mentes em Ação

Edição N.º 12 - Janeiro de 2022

Corações e Mentes em Ação

Qual é a cor da bondade? Você saberia responder a essa questão? A pergunta pode parecer muito abstrata para quem a encara sem contexto algum, mas é no abstrato que entendemos muito do que é concreto e do que vivemos, na prática. Você já parou para refletir a respeito do que, de fato, define uma atitude bondosa, generosa e gentil? Quais as sensações que esse tipo de ação gera em nosso corpo? Quais os sentimentos que uma atitude bondosa desperta nas pessoas? E, por fim, que cor esse sentimento teria? 


Foi fazendo essa pergunta a uma turma de crianças, com idade entre 3 e 5 anos, que a professora Myriam Wonsik, do Centro de Educação Infantil José Fidelis, em Campinas, São Paulo, realizou uma prática educativa diferente, no último mês de outubro. A ideia inusitada não surgiu do nada. Na verdade, ela brotou em uma discussão entre três professoras, no trabalho de conclusão do Aprendizagem para Corações e Mentes, um curso do SEE Learning —  um programa internacional desenhado para fomentar a aprendizagem social, emocional e ética em todos os níveis da educação básica, elaborado pelo Centro de Ciência Contemplativa e Ética Baseada em Compaixão da Emory University.


“Achei o curso muito bem estruturado e completo porque ele trabalha, a partir de nós, professores, o autocuidado, as práticas contemplativas e as vivências. Para que, a partir disso, possamos levar o aprendizado para a sala de aula”, afirma a professora. “Quando eu estava com meu grupo, estruturando o trabalho final, que era um plano de aula, me deu vontade de experimentar a atividade com a minha turma, que tinha crianças pequenas. Eu pedi autorização para as meninas do grupo, que acharam bem legal eu cumprir o plano, uma vivência real, e apliquei a atividade”, relata.


Myriam explica que começou a atividade instigando a curiosidade dos pequenos. “Anunciei às crianças que faríamos uma atividade diferente. Então, sentei ao chão, convidando-as a se sentarem comigo em volta de um cartaz. Elas logo ficaram curiosas e instigadas. Na sequência, comecei a escrever a pergunta ‘qual é a cor da bondade?’, usando uma cor de canetinha para cada letra. Enquanto eu escrevia, falava a palavra que estava sendo escrita, aumentando a curiosidade delas. Ao terminar de escrever, eu li a pergunta e elas fizeram uma cara de pouco entendimento”, relembra a docente.


“Apreciando o livro de apoio do curso e as experiências que tivemos, entendi que, para as crianças, eu teria que começar do início, sem pular muitas etapas. Afinal, para elas, a pergunta era muito abstrata. Então, fui em busca de músicas, animações e dinâmicas que pudessem ser lúdicas e trazer a vivência, de modo que as crianças fossem contempladas a partir disso. Só depois, registramos tudo com pinturas e desenhos, uma linguagem bem própria das crianças”, define a professora.


“Para conduzir a apresentação do conceito, eu fiz uma sequência de perguntas sobre a rotina deles em casa e na escola para ver se, ao responderem, eles acessaram a ideia de bondade, de gentileza e de cuidado que temos de outras pessoas e que também podemos oferecer”, relata. Myriam fez perguntas como “quem você viu quando acordou hoje?”, “quem te deu o café da manhã?” ou “quem te arrumou para vir à escola?”. As respostas a essas perguntas deram início a uma reflexão por parte das crianças. 


“Com suas respostas, eu expliquei que, desde que somos bebês na barriga da mãe, nós somos ajudados, cuidados e, com a bondade de muitas pessoas, nascemos bem e continuamos a ser cuidados, até ficarmos velhinhos”, conta a professora. “Então eu disse que poderíamos agradecer a todas essas pessoas por estarmos ali naquele momento, e sem saber, as crianças estavam reconhecendo o sentido dos termos interdependência e gratidão”, continua.


Após uma divertida dinâmica com bambolês, vídeos e mais reflexão em grupo, as crianças foram convidadas a usar tinta guache para pintar o que entendiam que era a bondade e que cor ela tinha. “Elas misturaram tintas, algumas crianças pintaram a família... Alguns alunos até verbalizaram que a bondade pode ser de toda cor”, relata a professora, que pretende aplicar novamente a atividade neste ano. 


“Quero repetir, sim. No planejamento de aula, vou usar o mesmo plano feito durante o curso, para depois passar para o assunto dos combinados e da cooperação”, diz. “Gostei muito do resultado da experiência e estou muito grata por participar do curso Aprendizagem para Corações e Mentes”.


Gostou? Se você quiser acessar o plano de aulas e o relatório completo de como foi essa atividade, clique aqui. Ah, e não se esqueça: as inscrições para o segundo módulo do curso estão abertas! Chame seus colegas e venha com a gente construir salas de aula mais gentis e compassivas.

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