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"Olhando para o outro lado" traz 34 crônicas sobre problemas sociais

Resenha Literária

Edição N.º 15 - Abril de 2022

Se você também é um amante da literatura, gosta de ler ou escrever resenhas, e adora contar para os outros o que está lendo, esse espaço é seu. Afinal, quando um professor compartilha a sua leitura com outros professores, milhões de portas se abrem. Hoje, contamos com a resenha do livro Olhando para o outro lado de Júlio Emílio Braz, produzida pela professora de Língua Portuguesa e Literatura há mais de 20 anos, Grasielly Lopes.

Quer ser o próximo a publicar sua resenha aqui? Escreva para fiquebem@gaiamais.org. Boa leitura!

Resenha de Olhando para o outro lado  — por Grasielly Lopes

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Você conhece a obra do escritor Júlio Emílio Braz? Um escritor mega ativo, de uma produção vasta e muito consistente voltada para o público jovem. Por meio de uma linguagem bastante acessível e rica, aborda temas muito importantes. Em 1989 recebeu o prêmio Jabuti pelo livro Saguairu e, entre outros prêmios, coleciona uma obra vasta. Para esta resenha, selecionei a obra intitulada Olhando para o outro lado, publicada pela primeira vez em 2007, mas que poderia ter sido publicada ontem, por tratar de temas sociais duros que, infelizmente, ainda fazem parte da nossa realidade.

O livro reúne 34 crônicas contundentes e incríveis que nos levam para tempos e espaços que merecem um olhar atento. São espaços de dificuldades reforçadas pela fome, desemprego, preconceito e violência. Embora as temáticas sejam duras, o olhar sensível do autor nos leva também para uma leitura ininterrupta, motivada pela necessidade de “olharmos para o outro lado”, conduzindo-nos a uma reflexão necessária e justa. Mas qual seria “o outro lado”? É exatamente esse o ponto do livro. Os 34 textos mostram lados de uma mesma moeda: o da desigualdade e da indiferença.

O livro traz 2 epígrafes e uma dedicatória que já nos indicam caminhos e as destaco a seguir:

 

“(…) E pensar, todos e cada um de nós, como ir transformando a realidade, como ir melhorando, é dizer: a exigência é ser essencialmente humano e ser tão humano que se aproxime ao melhor do humano; que se purifique o melhor do homem por meio do trabalho, do estudo, do exercício de solidariedade contínua (…).” (Che Guevara)

 

“A injustiça em qualquer lugar é a injustiça em todo lugar.” (Martin Luther King)

 

“Ao povo brasileiro, cheio de emoção e esperança!”

 

Deste modo, adentrar as crônicas de Olhando para o outro lado é buscar a humanidade, ter esperança e combater as injustiças. Dentre os textos brilhantes que compõem o livro, destaco os dois primeiros: “Caidão” e “Cobiça”. O primeiro é composto por uma sequência de denúncias que poderiam facilmente compor um Rap nos moldes Racionais MCs, já o segundo traz um retrato triste da fome que a partir de um olhar extremante sensível do autor ganha forma de suspense até compreendermos a real motivação da cobiça. Os demais textos vão se somando aos primeiros, em um grande mosaico que procura despertar a empatia e a ação.

Propor a leitura de uma obra como essa para os jovens é um convite para discussões, posicionamento crítico e análise do quanto a literatura pode contribuir para a reflexão acerca de problemáticas atuais. Hal Foster, no livro O que vem depois da farsa?, lança justamente esse questionamento: como o mundo da arte participa dos dilemas de sua época?. E Júlio Emílio Braz, por meio de sua produção, responde: produzindo literatura e chamando para o debate e reflexão.

Referências:

BRAZ, Julio Emílio. Olhando para o outro lado. São Paulo: Paulus, 2007.

FOSTER, Hal. O que vem depois da farsa? Arte e crítica em tempos de debacle. Tradução de Célia Euvaldo e Humberto do Amaral. São Paulo: Ubu Editora, 2021.

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