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Um mês difícil para a educação brasileira: saudades, professora!

Fofoca Pedagógica

Edição N.º 15 - Abril de 2022

O mês de março foi um mês difícil para a educação brasileira. Começar o texto assim pode ter direcionado você, querido leitor, a pensar no aspecto político. Afinal, no último dia 28 de março, Milton Ribeiro se despediu do Ministério da Educação, se tornando o quarto ministro a deixar o cargo durante a atual gestão do governo federal — uma falta de continuidade que, invariavelmente, atrasa ainda mais as pendências da pasta. Mas o tema do Fofoca Pedagógica de hoje não é político — ou, pelo menos, não o é diretamente.

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Lisete Arelaro faleceu no último dia 12 de março

Hoje, queremos falar sobre uma figura que, de fato, colaborou muito para a educação brasileira e que fará (e já faz) muita falta no setor. A pedagoga, professora, pesquisadora e ativista Lisete Arelaro, que trabalhou diretamente com Paulo Freire no início dos anos 90, faleceu no último dia 12 de março, vítima de um câncer, e deixou um importante legado em diversas frentes. Defensora da escola pública, Lisete foi duas vezes secretária de educação em Diadema, cidade da Grande São Paulo, e diretora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP).

Mas não podemos deixar de destacar que ela teve, sim, sua participação política também. Além de ter trabalhado na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, na gestão Paulo Freire, Lisete Arelaro concorreu pelo Psol ao governo do estado, em 2018. À época, ela recebeu 507 mil votos, ficando em oitavo lugar nas eleições — mas nunca deixou de se dedicar ao seu compromisso social.

No dia em que a sua morte foi anunciada, vários companheiros de partido de Lisete se manifestaram em sua homenagem. Além deles, ex-alunos, amigos, colegas acadêmicos e outros políticos também publicaram mensagens de comoção nas redes sociais. Contudo, queremos aqui destacar uma homenagem que Lisete recebeu em vida, devido ao seu trabalho em todos os níveis da educação brasileira. 

Em 2020, quando a educadora foi intitulada professora emérita pela FEUSP, a editora dessa mesma faculdade publicou o livro Lisete Arelaro: Escritos sobre Políticas Públicas em Educação, que você pode ler aqui. No prefácio da obra, Sonia Maria Portella Kruppa afirma que “Lisete é como o sol cantado e homenageado pelo poeta, no compromisso alegre, vivo e profundo com a escola pública de qualidade, em que os ideais de justiça social não são apenas discurso, mas atividades e práticas consistentes”.

 

“Sem dúvida, a qualidade da trajetória no ensino, na extensão e na pesquisa junto à FEUSP, acompanhada por sua contundente amorosidade na formação do coletivo desta Instituição, fazem de Lisete uma das mais dignas profissionais a merecer o título de Professora Emérita”, diz Sonia. “Salve Lisete Regina Gomes Arelaro, pela coragem, coerência e consistência pessoal e acadêmica! Gente como Lisete são para brilhar! Brilhar como um farol! Brilhar para sempre!”, encerra o prefácio. 

 

Que nós, professores, a exemplo de Lisete Arelaro, sigamos focados na nossa missão de construir um mundo melhor por meio da educação, pautados por um projeto social que seja maior que os nossos planos individuais. Mas, além disso, desejamos também que, em vida, nosso trabalho seja reconhecido — pelos nossos pares, pela comunidade que afetamos, pelos nossos alunos. Afinal, esse reconhecimento nos ajuda a ir ainda mais longe, a sermos ainda mais potentes em nossas contribuições sociais e, como bem diz Sonia, nos ajuda a brilhar como um farol e para sempre. Que espaços como a Revista Fique Bem ajude outros professores a serem também reconhecidos por seu trabalho, feito com todo o carinho e dedicação em cada cantinho do Brasil. 

 

Dito isso, deixo aqui minhas saudades de Lisete. Obrigada, professora.

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