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Em clima de Rock in Rio, fizemos um #tbt para refletir sobre a educação que queremos

Fofoca Pedagógica

Edição N.º 20 - Setembro de 2022

Muitos dos professores que gostam de um bom festival de música estão felizes com a chegada de setembro. Afinal, é mês de Rock in Rio, bebê. Após ser adiado por causa da pandemia, o maior festival de música do país, reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Rio de Janeiro, voltou com tudo! E nós, da Revista Fique Bem, adoramos um bom show. Mas, neste momento, queremos usar esse espaço e esse clima de festival para te lembrar de um outro evento que muito deu o que falar: o Lollapalooza Brasil de 2019.

Foi nesse festival que o professor e líder indígena David Karai Popygua — mais conhecido como David Guarani — subiu ao palco para denunciar o genocídio praticado sistematicamente contra os povos indígenas no Brasil. Você se lembra? Na ocasião, a banda norte-americana Portugal, The Man abriu o seu show cedendo o palco e parte do seu tempo de apresentação a indígenas da etnia Guarani Mbya, que moram na Terra Indígena Jaraguá, em São Paulo.

“Os indígenas representam 5% da população mundial. Nós protegemos 82% da biodiversidade do mundo. Falam que é muita terra para pouco índio, mas é pouco índio protegendo a vida pro mundo inteiro sobreviver”, disse David. “Nós, povos indígenas, estamos sendo perseguidos, estamos sendo assassinados e mortos. Nós estamos lutando pela vida. O homem mais poderoso do mundo no meio da floresta, sem nada, ele não sobrevive. O poder da vida tá na natureza. Salve o planeta, salve a Terra!”, continuou. “Não ao genocídio dos povos indígenas! Vamos lutar pela sobrevivência das futuras gerações. Nós somos o povo Mbya Guarani, um dos 305 povos indígenas que estão sobrevivendo na Terra. A todo povo que luta, Aguyjevete!”, encerrou ele.

Mas você, querido professor, sabe quem é David Guarani? A fofoca aqui também é essa! Um dos poucos indígenas da etnia Guarani Mbya que conseguiu estudar na escola do juruá (não-indígena), David é professor na escola de sua aldeia desde 2007. Em entrevista para o projeto Mekukradjá — Círculo de Saberes, produzido pelo Itaú Cultural, o líder indígena contou um pouco da sua relação com a educação e acreditamos que vale a pena reforçar as suas falas nesse momento do nosso país:

“A escola é um espaço muito delicado, né? É um espaço que tem que ser apropriado pela comunidade, com a sua própria identidade, com a sua própria característica de passagem de conhecimento. Há uma responsabilidade muito grande dos próprios educadores, porque um professor pode, de alguma forma, tirar toda a resistência de uma comunidade”, disse ele.

“Quando você ensina só a questão do juruá, a cultura do juruá, e você não mostra onde, de fato, está a nossa resistência, que é a nossa cultura, que é a consciência de quem nós somos, a consciência histórica do nosso povo, isso pode ser prejudicial. Então, essa sempre foi uma das minhas preocupações em relação à escola”, completa David. 

Logo, queremos te deixar com uma provocação: quanto da cultura indígena é apresentada nas suas aulas? Como David mesmo disse, a escola é um espaço que precisa ser apropriado pela identidade da comunidade onde ela se inclui, mas quanto da identidade indígena existe no espaço que a sua escola ocupa? 

Em tempos de festival e em tempos pré-eleições, discursos políticos podem causar alvoroços nos palcos por aí. Em 2019, David foi bastante aplaudido no palco do Lollapalooza e, neste ano, no Rock in Rio, também foram registrados muitos protestos políticos. Mas, e depois que o show acaba? Qual é a reflexão que nos sobra? A mensagem de David foi lançada em 2019 e ainda vemos que falta muita conscientização por parte do juruá. Vamos fazer um combinado? Pense sobre o assunto por aí, que eu prometo pensar por aqui também.

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