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Como inspirar boas perguntas e transmitir o conceito de interdependência na escola?

Gestão da aprendizagem

Edição N.º 19 - Agosto de 2022

Talvez você já conheça o nosso querido Valentin Conde, professor de práticas contemplativas para a infância, pedagogo formado pela PUC-SP e mestre em ciências da religião com ênfase em estudos budistas pela Fo Guang University de Taiwan. Valentin é o facilitador convidado pelo Fique Bem para o curso Gestão da aprendizagem — cuidando dos recursos, relações e pessoas, lançado também neste mês de agosto. 

Pós-graduado em Gestão Emocional nas Organizações pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein, Valentin é também uma das vozes responsáveis por repercutir o SEE Learning no Brasil, um currículo de Aprendizagem Socioemocional e Ética, inspirado nos ensinamentos de Dalai Lama e do psicólogo Daniel Goldman. Mas, antes de tudo isso, Valentin foi aluno da professora Luíza Helena.

“A professora Luíza Helena, para mim, é a minha grande lembrança, minha grande referência quando eu penso na importância da figura do professor na minha vida”, conta ele à redação da revista Fique Bem. “Ela era professora de filosofia e nunca começava suas aulas com nomes de grandes filósofos, ou grandes teorias, conceitos, mas sempre começava suas aulas nos mostrando como as nossas rotinas estavam cheias de filosofia”, relembra. 

“Certa vez, ela, quando já estávamos no ensino médio, compartilhou o filme Hair, conosco. O filme mostra aquele período da guerra do Vietnã nos EUA, o movimento hippie… E muitos de nós, sem entender, dissemos: ‘O que que nós temos para aprender com esse bando de hippies, de pés sujos?’. Ela, muito emocionada, nos disse que, se hoje nós temos a liberdade para usar as roupas que desejamos, para andar da forma como queremos andar na rua, para expressar nossos afetos, isso se deve justamente a movimentos como o movimento hippie”, relata o educador. 

“Foi a primeira vez que eu senti mesmo, na minha educação, esse conceito da interdependência e da nossa humanidade compartilhada. Percebi como todos os movimentos humanitários, de alguma maneira, se juntam e se acumulam para que nós, hoje, possamos desfrutar das coisas que nós desfrutamos. E esse também foi o momento da minha vida que eu decidi que eu queria dedicar a minha história profissional, a minha carreira, e a minha vida pessoal também, aos movimentos de base comunitária”, continua ele que, de fato, segue o plano decidido no ensino médio. “Devo isso e ofereço isso todos os dias à minha querida professora Luíza Helena”, conta Valentin com carinho.

Esse mesmo carinho e palavras de igual conforto fazem parte do curso do Fique Bem ministrado por Valentin. “Quando eu estava construindo o curso, pensei muito sobre o que eu gostaria de ter aprendido quando eu estava no curso de pedagogia”, comenta. 

“Uma crítica construtiva que eu faço ao curso de pedagogia, e não sou o único, é que existem poucos componentes práticos. Então, a gente sai com uma solidez conceitual muito grande, mas, infelizmente, com poucas recomendações práticas para enfrentar os desafios reais que a gente encontra quando sai de uma universidade”, revela. “Pensei também em todos os processos formativos dos quais participei aí fora e pensei em todas as professoras e professores que cruzaram o meu caminho e minhas formações. Meu muitíssimo obrigado a todos vocês!”, complementa.

Valentin diz ainda que espera que o curso que ele gravou com a gente seja uma “boa oportunidade para a gente fazer mais perguntas, melhores perguntas e para que a gente possa gentilmente se aproximar dessas perguntas”. “A educação está muito amparada em descobrir respostas, os processos avaliativos, desde o ensino fundamental até o vestibular, são muito sobre encontrar as respostas certas, e a gente tem poucas oportunidades de aprender a fazer boas perguntas”, argumenta. 

“Tem uma figura que eu acho muito fofa, muito carinhosa, que é a ideia de como os porcos-espinhos namoram. Eles são porcos-espinhos, se eles se aproximarem muito para namorar, eles vão se machucar, certo? Mas eles vão se aproximando bem devagarzinho, com muito cuidado, esperando que os espinhos de um se encaixem nas frestas do outro”, narra o educador. “A minha ideia é que a gente possa se aproximar com esse cuidado, com esse carinho, para que a gente possa namorar as nossas perguntas, as nossas dúvidas e é isso que eu espero que o curso represente”, finaliza Valentin.

>> Veja aqui como se inscrever no curso Gestão da aprendizagem — cuidando dos recursos, relações e pessoas, com Valentin Conde.

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